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domingo, 3 de outubro de 2010

Vantagens dos adubos verdes

A matéria abaixo, tirada do site Agrolink, é bem interessante. Embora as plantas citadas sejam de verão, ou seja, concorrem com as nossas culturas principais, e por isso são pouco conhecidas e cultivadas, o estudo mostra que há muita coisa ainda a descobrir, e muitas soluções e respostas estão na própria natureza, basta fazermos bom uso delas.

O problema é que pouca gente dá importância para essas plantas, ditas "não comerciais", apesar de seu uso consagrado. É certo que ninguém vai plantar mucuna, feijão de porco ou crotalária ao invés de soja, mas para determinadas situações tais plantas podem ser utilizadas, principalmente na entrelinha de culturas permanentes como café, laranja, etc, entre outras situações. O difícil, no entanto, é encontrar sementes para o plantio. Na última semana resolvi comprar semente de mucuna-anã, para plantio na entrelinha do café que foi esqueletado. Pois bem, no Norte-Noroeste do Paraná deve ter duas ou três empresas que vendem tais sementes. Aí fica difícil:  a demanda já é pequena, e quando há não se encontra sementes! E neste ponto, 2 x 0 para Londrina sobre Maringá. O problema é que não é todo produtor que pode pegar um carro e ir até Londrina para achar o que precisa.

Matéria - Fonte: Agrolink
"Descoberto mais um benefício do cultivo de adubos verdes. Dentre os diversas vantagens, a mucuna-preta e o feijão-de-porco descontaminam o solo afetado com resíduos de herbicida.
Já se sabe que o cultivo de espécies vegetais da família das leguminosas pode trazer inúmeros benefícios aos agroecossistemas, tais como: aporte de nitrogênio (N) ao solo, devido à simbiose com bactérias fixadoras de N atmosférico; descompactação do solo, resultante da ação de raízes pivotantes; ciclagem de nutrientes, depositando nas camadas superficiais nutrientes absorvidos de camadas mais profundas; adição de matéria orgânica ao solo; incremento da atividade biológica dos solos; e proteção do solo contra processos erosivos.
Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de quatro instituições (Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal de Viçosa, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e Embrapa Tabuleiros Costeiros) descobriu mais um benefício de duas espécies de adubos verdes - mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) – a capacidade de descontaminar solos com resíduos de herbicidas.
Alguns herbicidas registrados para uso em diversas culturas agrícolas no Brasil apresentam a característica de continuar ativo no solo por um longo período de tempo. O uso desses herbicidas pode impedir o plantio de outras culturas na mesma área por vários meses ou até anos. O uso do herbicida picloram pode exemplificar essa situação, pois após a sua aplicação no solo, deve-se esperar, em média, três anos para que se possa efetuar a semeadura de uma cultura sensível, com segurança, na mesma área.
Do ponto de vista ambiental a redução desse período de atividade residual do herbicida no solo também é positiva. Quanto maior o tempo que um herbicida permanece ativo no solo, maior é a probabilidade de ocorrer a lixiviação de suas moléculas no perfil do solo, podendo atingir e contaminar os mananciais de água subterrânea.
Trabalhos científicos comprovaram que o cultivo das espécies mucuna-preta e feijão-de-porco pode auxiliar na redução do nível de atividade no solo dos herbicidas trifloxysulfuron sodium e tebuthiuron. Com a aplicação dessa técnica pode-se reduzir significativamente o intervalo entre a aplicação desses herbicidas e a semeadura de uma espécie cultivada que não apresenta tolerância à presença dessas moléculas no solo.
Essa técnica de se utilizar plantas no intuito de se promover uma descontaminação de áreas agrícolas ou mesmo industriais é denominada de fitorremediação.
Essas pesquisas reforçam ainda mais os benefícios que o cultivo de adubos verdes pode proporcionar para as áreas agrícolas (otimização do uso da terra e redução da contaminação ambiental), mostrando a importância da inserção dessas espécies em sistemas de produção sustentáveis."
Sergio de Oliveira Procópio, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
Fábio Ribeiro Pires, professor da Universidade Federal do Espírito Santo
Embrapa Tabuleiros Costeiros - Aracaju

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Adubação verde II

Para quem não conhece, esse é o grande Doutor em solos Ademir Calegari, pesquisador do Iapar, autor de uma série de trabalhos e alguns livros na área de rotação de culturas, adubos verdes e plantio direto. Tive o prazer de conhecê-lo ainda na Universidade, e depois de 20 anos pude reencontrá-lo aqui em Maringá, na semana passada em um dia de campo. Na sua palestra como de costume ressalta a importância da rotação de culturas e o uso de plantas que promovam a reciclagem de nutrientes, a melhora da estrutura do solo, o fornecimento de matéria orgânica, entre tantos outros benefícios que os adubos verdes oferecem.
Já escrevi em outras ocasiões que tenho grande empatia por essa área, e desde a faculdade procurei estudar esse assunto e aplicá-lo no meu exercício profissional, e uma das pessoas que na época me levou a gostar do tema foi justamente o Dr. Ademir, na época já pesquisador do Iapar, que ministrava palestras nas famosas Semanas Agronômicas da UEL. 
Assim que puder vou comentar alguns assuntos abordados pelo pesquisador na ocasião do evento. No momento o que posso transmitir é o grande contraste que pude sentir, por um lado a alegria de revê-lo com o discurso cada vez mais afinado, e de outro uma certa tristeza de saber que poucos colegas prestigiam um trabalho destes, o que pode ser claramente visto não só pela baixa participação em eventos técnicos com autoridades desse calibre, mas principalmente pela omissão no contato direto com o produtor, ao não levar a campo técnicas consagradas, deixando o trabalho técnico e valorização profissional de lado para fazer a vontade imediatista do produtor, que em um ano como este, onde mesmo com o cenário para o milho safrinha e o trigo já desenhados, prefere arriscar no curto prazo ao invés de investir no solo e fazer um trabalho de longo prazo, que é o único que vai dar sustentabilidade a agricultura. Só o tempo vai mostrar quem está com a razão, o que é uma pena! 

Na foto: nabo forrageiro consorciado com aveia preta.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

2010: ano da aveia preta !

O uso de espécies de cobertura de inverno, conhecidas como adubos verdes, tem mostrado grande eficiência no controle da erosão e reciclagem de nutrientes, evitando perdas principalmente por lixiviação. Essas plantas promovem consideráveis aumentos de rendimento das culturas subsequentes e também são importantes economicamente pois permitem melhor aproveitamento e redução da adubação mineral nas culturas implantadas logo a seguir. Além disso, várias espécies contribuem para a diminuição da infestação de invasoras, contribuindo para a diminuição do custo de produção das culturas de verão. O caso da "buva" está muito evidente, planta daninha agressiva, que tem uma supressão muito grande quando no inverno se cultiva braquiária ou mesmo aveia, mas isso merece uma abordagem especial em outra ocasião.
Umas das boas alternativas para o cultivo no inverno visando a adubação verde é a aveia preta, espécie já consagrada há muito tempo, mas que ultimamente tem estado esquecida, principalmente porque nos últimos anos os invernos foram secos e o desenvolvimento da planta acabou prejudicado. Este ano, porém, considerando a previsão de que estaremos ainda sob os efeitos do "El Nino", acredito que seja um bom ano para investir na planta, que é uma gramínea rústica, relativamente resistente a seca e apresenta ótimo desenvolvimento em nossa região.
Assim, fica o alerta aos técnicos e produtores: lembremos da aveia preta como uma alternativa de cultivo nesse inverno. Particularmente acho que esse seja o ano da aveia.