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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Criado fertilizante que libera nitrogênio aos poucos no meio ambiente

Economia nas práticas agrícolas e equilíbrio ambiental. Essas são as duas principais vantagens do fertilizante desenvolvido recentemente no Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O novo produto, que pode ser aplicado em qualquer tipo de solo ou cultura, permite que o nitrogênio, presente na ureia, seja liberado de forma lenta nas plantações. Além de evitar desperdícios e ser menos agressivo ao solo, o produto garante às plantas melhores condições de crescimento.

Segundo o químico Antonio Salvio Mangrich, como a ureia - o mais nitrogenado dos fertilizantes - é mal absorvida pelo solo, o nitrogênio não se fixa de modo eficaz à raiz das plantas, causando déficit de proteína nos cultivos, entre outros problemas.

"Na forma solúvel, como normalmente se apresenta, até 70% do composto nitrogenado costumam se perder devido à evaporação e à lavagem do solo pela água da chuva", diz Mangrich. Dessa forma, todo nitrogênio não absorvido pelo solo vai parar em rios e lagos, causando sérios danos ambientais.

A solução encontrada pela equipe da UFPR foi criar um produto granulado. Para obtê-lo, intercalaram, em uma estrutura que lembra um sanduíche, ureia e caulim (um tipo de argila). O caulim faz as vezes das fatias de pão do sanduíche; a ureia é o recheio. O pulo-do-gato do processo está no emprego dessa argila. Por reter a ureia no interior de sua estrutura, ela faz com que o nitrogênio seja liberado lentamente.

O químico Fernando Wypych, também membro da equipe, explica o processo básico de obtenção do novo fertilizante. A operação consiste em atritar as duas substâncias (ureia e caulim), friccionando-se uma contra a outra.

Em seguida essa estrutura mista é moída, dando origem aos grânulos. "O resultado é um produto extremamente resistente, em que as moléculas de ureia permeiam a estrutura do caulim", diz o químico. Segundo ele, o método é trabalhoso, mas compensador, já que não há perda de ureia.

RESISTÊNCIA

O produto foi submetido a dois testes de resistência: a temperaturas elevadas (até 150 ºC) e a água em abundância (como ocorre no caso de chuva torrencial). Em ambas as situações as substâncias não evaporaram, e o nitrogênio, mesmo em contato com a água, foi liberado lentamente.

O passo seguinte será testar o fertilizante em campo. A tarefa caberá à empresa que adquiriu o direito de uso da patente. "Acreditamos que até o final do ano o produto já possa ser aplicado no solo", espera Mangrich.

Fonte original: Ciência Hoje On-line

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

IAPAR no show rural

Terraceamento, uso de dejetos da criação de suínos e aves, adubação verde e equipamentos para plantio direto são destaques

“Daremos ênfase às tecnologias conservacionistas, o visitante vai sair convencido que é possível conciliar alto nível de produtividade com respeito ao solo e ao meio ambiente”, resume o agrônomo Adelar Motter, coordenador das unidades demonstrativas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) no Show Rural Coopavel, evento que acontece em Cascavel, de 7 a 11 de fevereiro.

O destaque deste ano é a unidade de terraceamento em plantio direto. Muitos produtores estão desmanchando essa proteção contra as enxurradas; o problema é que, isoladamente, a palhada não é suficiente para evitar o escorrimento de água, e já se vê muita propriedade com sulcos de erosão, mesmo em solos com cobertura de palha. O Iapar apresenta recomendações sobre espaçamento e as melhores alternativas para construção e manutenção de terraços em nível para proteger o terreno contra a erosão superficial.

Mas não é só com palha e terraço que se mantém o solo protegido. As plantas para cobertura e adubação verde, integrando sistemas de rotação de culturas, são opções igualmente recomendadas pelos pesquisadores. Os benefícios do uso de crotalária, mucuna, linhaça, guandu e dezenas de outras plantas poderão ser conferidos no Show Rural.

De acordo com o pesquisador Ademir Calegari, a utilização dessas plantas beneficia todos os atributos (químicos, físicos e biológicos) do solo; contribui para um maior equilíbrio ambiental e ainda facilita o aumento da biodiversidade – o que estimula a presença de inimigos naturais e, consequentemente, pode diminuir a infestação de pragas, doenças e nematóides nas lavouras comerciais cultivadas em seqüência. E, ao contrário do que muito produtor pensa, “o uso dessas plantas pode ser rentável”, finaliza o pesquisador.

Outra técnica que contribui para a rentabilidade do produtor e protege o ambiente é usar nas lavouras os resíduos da criação de suínos e aves. De acordo com a pesquisadora Graziela Barbosa, a adubação com esses dejetos, aliada ao plantio direto, pode ser uma alternativa para a redução de custos com adubação mineral, e ainda melhorar o controle da erosão porque "a adição de matéria orgânica no solo amplia a capacidade de retenção e infiltração de água no solo e, consequentemente diminui o escorrimento na superfície", explica.

Mas Graziela alerta que o produtor não pode jogar esses dejetos à vontade. “Trata-se de um resíduo altamente poluente, é preciso aplicar com cuidado para não contaminar o solo e os rios”, explica ela. Por isso, as equipes do Iapar vêm há alguns anos estudando a dosagem adequada desses dejetos para cada tipo de solo, de modo a reduzir o uso de adubo mineral e dar um fim nos dejetos de modo seguro ao meio ambiente. Já foi possível obter resultados promissores, que podem ser conferidos no Show Rural.

Agricultura familiar – Desde a década de 70, os pesquisadores do Iapar vêm desenvolvendo e adaptando equipamentos para plantio direto na pequena propriedade. No Show Rural, os pesquisadores apresentam alguns implementos desenvolvidos em duas linhas de trabalho: para produtores que somente dispõem de tração animal e para os agricultores que utilizam tratores de baixa potência.

As informações são da assessoria de imprensa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cama de frango

Foto: Boletim FAEP 1121 (dez/10)

Somente no Paraná, responsável por 26% da produção nacional de frango, são abatidos mais de 1,3 bilhão de cabeças por ano. No Estado existem cerca de 14 mil estabelecimentos avícolas, a maioria de pequenos e médios produtores, concentrados principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste. O último Boletim da FAEP trata do assunto, sob a ótica do volume de cama produzido, mostrando que esse subproduto pode ser um grande negócio para os produtores. Se cada ave produz em torno de 1,2 kg de cama, imagina a quantidade de esterco disponível.
Para quem não se deu conta ainda, basta fazer os cálculos, tomando como base a composição média do material, para se chegar a conclusão do quanto o produto é mais barato que o adubo mineral. Lógico que não se fala em trocar o fertilizante químico, mas pode-se muito bem substituí-lo parcialmente e fazer um boa economia. Segundo estudo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, uma cama reutilizada por seis lotes, por exemplo, pode ter em sua composição: 3,5% de nitrogênio, 3,8% de fósforo e 3% de potássio, além de outros macro e micronutrientes como cálcio, magnésio, ferro e enxofre.
Uma conta simples, baseada em cálculo semelhante feito por engenheiro agrônomo do SENAR: uma tonelada de cama de frango possuiria 35 kg de N, 38 kg de P2O5 e 30 kg de K2O, o que demandaria em termos de adubo químico, por exemplo, 78 kg de uréia, 200 kg de superfosfato simples e 50 kg de cloreto de potássio. Em termos de valores, essa quantidade de fertilizantes custa hoje mais de R$ 300,00, o que indica uma economia tremenda caso se utilize a cama, que hoje na região pode ser encontrada por até R$ 70,00 por tonelada.
Particularmente venho defendendo esse material há muito tempo, porém com bases técnicas. Ou seja, após consulta ao profissional da área agronômica, pois há outros aspectos a serem considerados, não apenas essa questão química, mas também as físicas e biológicas, que por sinal também são bem favoráveis.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Conservação de solos

IAPAR recomenda manutenção de terraços mesmo no plantio direto

A eliminação dos terraços, estruturas de terra para retenção de água em áreas de cultivo, traz consequências desastrosas com aumento acentuado de erosão. Para tentar reverter o mau uso do solo, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) lançou nota técnica, recomendando a manutenção do terraceamento em Sistema de Plantio Direto (SDP). Essa é uma das práticas mecânicas mais antigas e eficientes no controle da erosão.

O Paraná tem cerca de 5,7 milhões de hectares em plantio direto - mais de 80% de área agricultável do Estado. A técnica foi adotada na década de 70 e contribui para a redução da erosão. Com a eliminação dos terraços, segundo IAPAR, houve processo acentuado de erosão, principalmente em área com maior declive. Isso foi percebido com a ocorrência de chuvas intensas, nos últimos anos, expondo novamente a agricultura paranaense a perdas de solo.

Para os pesquisadores do IAPAR o plantio direto isoladamente não é suficiente para o controle da erosão.

A nota técnica recomendada pelo IAPAR foi elaborada por pesquisadores, que simularam as perdas de solo, utilizando recomendações de espaçamento entre terraços, já publicadas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). No estudo, eles comparam as perdas de solo em situação de plantio convencional. O IAPAR lançou o Boletim Técnico Nº 71 de agosto de 2010º - Espaçamento entre terraços em plantio direto com as seguintes recomendações:

Recomendações:
1 - Os terraços devem ser mantidos em Sistema de Plantio Direto, pois é uma prática eficiente para controle da erosão, principalmente em anos com maior erosividade.
2 - A prática de remover um terraço a cada dois em Sistema de Plantio Direto não é recomendada para cultura anuais.
3- As recomendações de espaçamento entre terraços do Iapar E IAC apresentam perdas do solo próximas entre si para todos os cenários analisados.
4- As áreas agrícolas com espaçamento entre terraços do Iapar podem ser mantidas.
5- As áreas agrícolas onde serão construídos terraços podem utilizar tanto a recomendação de espaçamento de terraços do Iapar quanto do IAC.

A resolução 172/2010 que estabelece critérios para alocação de terraços em sistema de plantio direto, segundo orientações técnicas do IAPAR foi lançada pelo governador no dia 3 setembro em Campo Mourão.

O produtor que recusar a seguir o que determina a resolução 172/2010, pode ser notificado pela a resolução nº 066/2001 que dispõe sobre normas regulamentadoras dos procedimentos fiscalizatórios para preservação do solo agrícola no Estado do Paraná.

Maiores informações:
Legislação sobre normas regulamentadoras - processos fiscalizatórios
Cartilha Plantio Direto FAEP
Fonte: Faep

domingo, 15 de agosto de 2010

Inoculante para cana, trigo e milho

Inoculante pode aumentaar produtividade em 25%.
Inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio pode ser mais uma tecnologia a disposição dos produtores de cana para reduzir custos.

A exemplo do que já ocorre com a soja, a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio poderá ser mais uma tecnologia a disposição dos produtores de cana-de-açúcar para reduzir custos de produção e aumentar a produtividade. O nitrogênio, usado em grande escala na agricultura, é um dos elementos que quantitativamente mais limita o crescimento das plantas. Ele existe de forma abundante no ar, cerca de 80%, mas as plantas não são capazes de absorver na forma gasosa, apenas absorvê-lo do solo na forma de compostos solúveis como nitrato e amônio. No final do século passado descobriu-se que várias espécies de leguminosas como soja e feijão, possuíam nódulos nas raízes contendo bactérias do gênero Rhizobium que podem transformar o nitrogênio gasoso em amônia, utilizada para o crescimento da planta num processo chamado de fixação biológica da planta.

Estudos iniciaram na década de 50

A cana-de-açúcar não possui essa capacidade de formar nódulos nas raízes. Mas, na década de 50, iniciaram-se estudos no Brasil sobre outras bactérias fixadoras de nitrogênio que se associam a essa cultura. A pesquisadora da Embrapa, Dra. Johanna Döbereiner, de renome internacional, é que isolou algumas espécies.
A eficiência agronômica das bactérias fixadoras de nitrogênio e promotoras de crescimento em gramíneas (Azospirillum brasilense), selecionadas na UFPR pela equipe do professor Fábio de Oliveira Pedrosa, foi comprovada para o arroz, trigo e milho com incrementos na produtividade de grãos de até 11% na cultura do trigo e até 30% em milho. Liberado pelo Ministério da Agricultura, o inoculante para essas culturas já está disponível no mercado.

Esta notícia completa e interessante está disponível no Jornal Paraná Açúcar & Alcool, edição Julho/2010.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Adubação verde

Uma prática agrícola utilizada há mais de 2.000 anos por gregos, romanos e chineses tem se tornado cada vez mais importante na atualidade. O objetivo é aumentar a produção das lavouras a partir da melhoria da fertilidade do solo sem dependência de insumos externos à propriedade. Trata-se da adubação verde, técnica que contribui com a conservação ambiental.

A prática consiste no plantio de espécies vegetais, principalmente leguminosas, em rotação ou consórcio com lavouras. Essas espécies podem ser roçadas e deixadas no terreno para servirem de adubo natural, ou podem ser usadas para o plantio direto. Neste caso, em cima da palhada, são cultivadas outras culturas. Leguminosas perenes também são utilizadas em sistemas de faixas. Cultivadas próximas da área do cultivo principal, periodicamente são podadas e suas folhas acrescentadas à área de produção.

A matéria orgânica disponibilizada pela adubação verde retém nutrientes na superfície do solo e aumenta a fertilidade do terreno. As raízes profundas dessas plantas trazem para a superfície nutrientes levados pela água para o subsolo.

Leguminosas, como feijão guandu, mucuna e crotalária, são capazes de ampliar o teor de matéria orgânica no solo pela fixação biológica de nitrogênio, que é realizada em simbiose (ou parceria) com bactérias presentes em suas raízes, de forma que passa a ser possível aumentar a produtividade das culturas sem depender totalmente de fertilizantes químicos, que têm alto custo econômico e ambiental.

Além do benefício da redução dos custos de produção, a adubação verde contribui com a conservação da biodiversidade. Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Walter Matrangolo, com o uso intensivo de adubos minerais solúveis, ocorre a eutrofização do solo, ou  seja, o excesso de nutrientes estimula o desenvolvimento de microrganismos que consomem rapidamente grande parte da matéria orgânica. Esse processo pode causar aumento da compactação do terreno, diminuição da capacidade de retenção de água e aumento da erosão. Por outro lado, os adubos verdes promovem o equilíbrio ecológico, protegem o terreno contra radiação solar e erosão. Também promovem a descompactação e aeração do solo, o que aumenta sua capacidade de armazenamento de água e de nutrientes.

Além disso, algumas espécies utilizadas como adubos verdes são úteis para reduzir a infestação de pragas nas culturas, pois diversificam o sistema de produção, o que favorece os agentes de controle biológico e, em geral, diminuem a incidência das plantas invasoras pelo sombreamento.

Fonte: Agrolink 08/07/10

domingo, 13 de junho de 2010

Preocupação com "super erva daninha" chega ao Brasil

A preocupação com as ervas daninhas resistentes a um dos herbicidas mais usados na agricultura e que atualmente assombra os Estados Unidos chegou ao Brasil, onde já foram registradas 5 dessas plantas conhecidas como "super ervas daninhas", resistentes ao glifosato.
A região Sul do Brasil é a mais afetada, segundo Dionísio Grazieiro, pesquisador da Embrapa Soja, a estatal brasileira de pesquisa agrícola, e segundo ele é preciso agir rápido para evitar a disseminação entre as lavouras transgênicas resistentes ao herbicida antes que qualquer contramedida se torne ineficaz...

A Matéria completa pode ser lida acessando o link.

Há poucos meses, no boletim da FAEP de início de fevereiro, li também, dentro do mesmo assunto, outra matéria alertando sobre o problema do uso excessivo e indiscriminado do glifosato. Está claro que sem rotação, o glifosato está condenado a perder eficiência.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Encontro sobre Plantio Direto


A Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp) promove o 12º Encontro sobre Plantio Direto na Palha. O evento acontece em Foz do Iguaçu (Paraná), entre os dias 23 e 25 de junho de 2010. Tendo como tema central ‘Plantio Direto – tecnologia que mudou a visão do produtor’, a programação do evento abordará temas realacionados a sustentabilidade do sistema e ao pagamento por serviços ambientais prestados pelo plantio direto. Mais detalhes sobre o evento, inclusive toda a programação de palestras, podem ser obtidos no site da Febrapdp, através do endereço www.febrapdp.org.br./    ou    clicando direto no link  Programação Técnica.

Particularmente acho o evento importantíssimo para os técnicos e produtores do Norte/Noroeste, pois infelizmente na nossa região o "plantio direto na palha" não é praticado na sua essência. Se vê muito por aí o que chamo de semeadura direta ou um plantio direto meia boca (afinal sem palha e matéria orgânica o sistema não existe), muito longe do verdadeiro plantio direto idealizado pelo Herbert Bartz e o Nonô Pereira, precursores da técnica no Brasil. Fica o desafio para a classe agronômica da região!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Transgênico mata uma praga e traz outra

A matéria, publicada na Folha On Line no último dia 14, encaminhada pelo meu grande amigo Engenheiro Agrônomo João Francisco, mostra como o assunto é delicado e merece toda a atenção da classe agronômica. O caso por enquanto é na China e com o algodão, mas podemos ter o mesmo problema por aqui com qualquer outra cultura que usa a tecnologia. Há algum tempo estou para escrever sobre uma prática que foi praticamente abandonada, que é o Manejo Integrado de Pragas, mas logo que tiver um tempinho vou abordá-la com maior profundidade. Em todo caso ela é citada, neste caso, como uma alternativa para administrarmos a situação e não precisar abrir mão dos benefícios que o Bt trouxe.

E como o João muito bem comentou, "por mais que se aperfeiçoem as técnicas o homem sempre correrá atrás da natureza". É bem isso mesmo!
Para ler a matéria completa clique aqui

terça-feira, 30 de março de 2010

Rerum rusticarum II

Buscando ainda mais umas passagens do livro desse romano, escrito há mais de dois mil anos, destaco a parte que trata da sustentabilidade da agricultura, tema em alta atualmente, mas que nunca deveria ser esquecido:

"Em primeiro lugar, ela (a agricultura) não é somente uma arte, mas é uma arte nobre e importante. Ela é, ao mesmo tempo, uma ciência que ensina que culturas devem ser plantadas em cada tipo de solo, e que operações deve ser praticadas, a fim de que a terra possa produzir perpetuamente as maiores colheitas". (pg 185).  
" ... o risco (da agricultura) pode ser reduzido pela ciência; pois, mesmo sabendo que o sucesso depende do clima e do solo, os quais estão fora de nosso alcance por serem da natureza, ela ainda muito depende de nós, por que podemos, com boas práticas, reduzir os efeitos desfavoráveis". (pg. 187)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Rerum rusticarum

O texto abaixo foi apresentado na Revista DBO Agrotecnologia, edição 16, de junho/julho de 2008, e é o resultado da pesquisa feita pelo Engenheiro Agrônomo Fernando Penteado Cardoso, fundador da Manah e presidente da Fundação Agrisus, que garimpou essa raridade milenar, que mostra como a agricultura era vista, nos anos 36 a 27 A.C., por um romano estudioso e culto, chamado Marcus Terentius Varro. Essa primeira passagem que destaco nos remete ao tema do plantio direto na palha e rotação de culturas, e parece que foi escrito para os dias de hoje:

"... algumas espécies também devem ser plantadas, não só pela renda imediata, mas tendo em vista o ano seguinte, pois, cortadas e deixadas sobre o solo, elas o enriquecem". (pag.243)  "A terra deve ser destinada a cada dois anos a uma cultura mais leve, quero dizer uma cultura que seja menos esgotante da terra". (pag. 277).

terça-feira, 23 de março de 2010

Planta resistente não vende "veneno"

Notícia do suplemento agrícola do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, página 03, do dia 10/03/10, que noticiava a solicitação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira à CTNBio autorização para fazer testes de laranja resisitente ao cancro cítrico, destaca o seguinte comentário, que merece uma boa reflexão sobre os reais interesses das empresas nessa linha de pesquisa que provavelmente vai contra seus objetivos:

"As pesquisas com trangenia em citros no Brasil poderiam estar mais avançadas se a Monsanto, uma das maiores empresas desenvolvedoras da técnica no mundo, não descontinuasse os experimentos realizados na Allelyx, empresa de biotecnologia adquirida do Grupo Votorantin em outubro de 2008. Sem explicar os motivos, a assessoria da Monsanto informou apenas que todo o trabalho de transgenia em citros feitos pela Allelys foi descontinuado. A aquisição ocorreu quando a CTNBio analisava os pedidos da Allelyx para a pesquisa de campo com citros".

Outra questão interessante para pensarmos, é que apesar de surgir novas tecnologias, que teoricamente reduziriam a aplicação de defensivos (RR, Bt), surgem novas doenças ou pragas, que requerem até mais aplicações que antes. Veja os exemplos: ferrugem na soja; doenças no milho que nunca precisou de fungicida. Tudo bem que sempre que se busca melhorar uma questão, perde-se em outras, mas vale a pena refletir melhor sobre essa questão, principalmente nós técnicos, que somos os responsáveis pela transferência de tecnologia ao produtor.


domingo, 7 de março de 2010

Rotação de culturas

A seguir matéria da Embrapa, onde apresenta o resultado de trabalho de muitos anos, mostrando que a rotação de culturas garante 10% de aumento de produtividade no sistema de cultivo de plantio direto. Já escrevi recentemente que aqui em Maringá tem um trabalho de campo que apresenta resultados concretos para os produtores que aderiram ao sistema. Fica o desafio aos técnicos, já que a técnica é consagrada e indiscutível, falta um pouco mais de firmeza nas recomendações e até de valorização profissional, já que para continuar fazendo do jeito que vem sendo feito há anos por aqui (sucessão soja-milho safrinha) nem precisa muito de agrônomo!

Culturas agrícolas inseridas em sistema de rotação de culturas apresentam, em média, 10% de aumento de produtividade. Este é um dos principais resultados de um experimento sobre rotação de culturas conduzido por 25 anos pela Cooperativa Coamo em parceria com a Embrapa Soja (Londrina- PR).
O experimento sobre rotação de culturas, com 12 combinações diferentes que intercalam leguminosas e gramíneas,  foi idealizado pelo pesquisador aposentado da Embrapa Celso Gaudêncio, em 1985, e recentemente vem sendo conduzido pelos pesquisadores Júlio Franchini e Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, em parceria com o Setor Técnico da Coamo. O objetivo é avaliar o desempenho de culturas de interesse econômico como trigo, milho safrinha, milho de verão.
Um resultado que chama a atenção no experimento de rotação de culturas, é a inexistência de compactação do solo em plantio direto. “Concluímos que as culturas agrícolas que compõem o experimento fazem uma descompactação biológica, por intermédio dos diferentes sistemas radiculares das plantas”, diz Franchini.
Com o solo descompactado e as raízes mais aprofundadas, as plantas conseguem resistir melhor a estresses como a seca e doenças. “Em termos biológicos, a rotação de culturas colabora com a redução de doenças fúngicas nas raízes ou folhas (caso do trigo e do milho)”, diz.
A rotação de culturas melhora ainda a qualidade do solo, permitindo que as plantas tenham maior desenvolvimento, maior reservatório de água e maior estabilidade de produção. Ou seja, a planta consegue produzir mesmo sob condições adversas. “E, quimicamente, a rotação com diferentes culturas favorece a reciclagem de nutrientes, porque as raízes mais profundas aumentam a eficiência do uso dos fertilizantes”, avalia Franchini.
Segundo o pesquisador, no caso do trigo, os resultados mostram que o cultivo sucessivo no mesmo espaço por mais de dois anos aumenta as chances de aparecimento de doenças foliares e radiculares. O milho safrinha também apresenta a mesma dificuldade depois de dois anos de cultivo contínuo. E no caso da soja, observou-se um melhor desempenho produtivo, quando cultivada em rotação com o milho de verão.
Um dado importante observado para o milho de verão é o acréscimo de produtividade, quando cultivado em sucessão a leguminosas de inverno (tremoço e ervilhaca) ao invés de gramíneas (trigo ou aveia) sucessivamente. “Isto porque ao contrário das gramíneas, as leguminosas fixam o nitrogênio do ar e melhoram a produtividade da cultura subsequente”, avalia.
O experimento conclui que a rotação de culturas, além de ampliar a produtividade, traz benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo, o que beneficia todo o processo produtivo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dia de Campo - Arenito

(clique no cartaz para ampliar)
No mesmo dia do evento da Embrapa, mas em horário diferente,  será realizado o 13º Dia de Campo Projeto Arenito. Já participei em outros anos e vale a pena, tanto para técnicos quanto produtores, pois é derivado de um belo trabalho promovido pelo colega Eng. Agrônomo Fernando R. Sichieri, onde apresentam resultados, alternativas e práticas sustentáveis para a região do Arenito Caiuá. O Dia de Campo será realizado a partir da 14:00 no dia 05 de Março de 2010, na Estância JAE, Município de Santo Inácio-PR (a propriedade fica à margem da Rodovia Colorado-Santo Inácio, pouco antes do Ribeirão Santo Inácio, com placa indicativa).

Programação:
1- Produção animal em pastagem adubada ou consorciada
Zoo. Msc. Alyson Pinheiro- UEM

2- Sistemas de Integração Lavoura/Pecuária/Floresta
Pesq. Dr. Julio Franchini- Embrapa Soja
Eng. Florestal Dr. Sueli Sato Martins- UEM

3-Apresentação dos Sistemas e Resultados do Projeto Arenito 2005-2009
Eng. Agr. Fernando Ribeiro Sichieri- Projeto Arenito/Dekalb
Prof. Dr. Ulysses Cecato-UEM
Eng. Agr. Ricardo Padulla- Fartura Consultoria

Dia de Campo da Embrapa

Na próxima sexta-feira, dia 5 de março, entre 08h30 e 12h irá ocorrer o tradicional dia de campo realizado na Vitrine de Tecnologias da Embrapa Soja (Londrina-PR) - para os agrônomos da assistência técnica pública e privada. O evento contará com oito estações técnicas que irão tratar dos principais problemas ocorridos na safra 2009/2010 e indicar tecnologias que incrementem os sistemas produtivos em que a soja está inserida.

No auditório, serão feitas apresentações sobre florescimento precoce da soja, manejo de plantas daninhas e principais doenças no cultivo de soja. Na Vitrine de Tecnologias serão apresentadas as características das cultivares de soja transgênica e convencional desenvolvidas pela Embrapa, além de cultivares de feijão e resultados que comprovam a importância da Integração-Lavoura-Pecuária.
 
O dia de campo é uma realização da Embrapa Soja e da Embrapa Transferência de Tecnologias, em parceria com a Fundação Meridional.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dica útil

Já falei que sempre gostei de plantas melhoradoras do solo, talvez seja por isso que não consigo entender um produtor que deixa uma área em pousio, sem fazer uso de uma eficiente cobertura, sabendo que temos diversas alternativas seja para inverno quanto para o verão. Lógico que todas são para recomendações de uso agrícola, mas vou mostrar que podemos utilizar algumas delas até na cidade. A foto mostra um terreno urbano, mais conhecido no Paraná por "data", onde plantei a mucuna-preta, uma planta leguminosa interessante, com o objetivo de cobrir o terreno, evitando infestações de ervas daninhas e gastos desnecessários com herbicidas, capinas ou roçadas. O resultado é prático: abafa toda e qualquer erva que queira emergir e ainda por cima deixa um visual "limpo" e bonito por praticamente um ano inteiro.
Sei que terreno foi feito para construir, mas enquanto isso não acontece, os proprietários podem se valer de algumas alternativas baratas e eficientes. Mas alerto, a planta em questão é agressiva e de crescimento rápido, portanto requer algum cuidado na condução, e de preferência uma consulta a um técnico antes da implantação. Mas fica a dica!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dia de Campo

Procuro não citar empresas para não ser injusto ou mostrar preferência por essa ou aquela, mas quando o trabalho é técnico, não tem como. Ontem participei de tradicional Dia de Campo de uma empresa de revenda de insumos de Maringá, e mesmo com parte do foco na venda de produtos, fica claro o trabalho sério que vêm desenvolvendo. Não é de hoje que o colega Eng. Agrônomo Moacir Ferro defende o plantio direto e a rotação de culturas, mas já há alguns anos partiu para um exercício mais prático, assessorando um grupo de produtores que recebem acompanhamento sistemático com base num planejamento de longo prazo. O produtor do grupo, que participa do chamado Projeto Ciclo Verde (por sinal um nome bem original), já sabe o que vai plantar daqui a 5 anos em cada talhão da propriedade, que é previamente dividida, visando a rotação de culturas. É um trabalho de formiguinha que pouco a pouco vai ganhando corpo e novos adeptos. O sucesso e os resultados positivos são evidentes: melhora da microbiologia, da física e química do solo, aumento da produtividade, e principalmente diminuição de riscos e aumento de renda. Em uma das baterias estava presente o Eng. Agrônomo Cássio Tormena, Doutor da UEM em física de solo, que deixou claro que enquanto produtores e técnicos continuarem no velho modelo, que segue o batido binômio soja-milho safrinha ou soja-trigo, com suas palavras, “vão continuar repetindo uma receita de insucesso”.

Para mim que tenho formação agronômica e sempre fui adepto do manejo integrado do solo, da rotação de culturas, da adubação verde, enfim da sustentabilidade do sistema, é muito grato perceber que um trabalho sério vem sendo desenvolvido aqui na região.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Adição de fertilizante em herbicida

Adição de fertilizante em herbicida dá resultado, mostra estudo

Ao lidarem com plantas daninhas, muitos agricultores costumam misturar dois fertilizantes ao herbicida glyphosate, a ureia e o sulfato de amônio, para aumentar a eficiência do produto. Em geral, essa adição tem sido realizada de forma empírica, mas uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, mostrou que as duas substâncias, em especial o sulfato de amônio, apresentam efeitos positivos para controle de algumas espécies.

O glyphosate é usado habitualmente na limpeza da área de cultivo antes de semear as culturas (dessecação) e para o controle de infestantes na soja transgênica. “Os agricultores costumam adicionar mais ureia ao herbicida, pois seu custo é bem menor que o do sulfato de amônio”, afirma o agrônomo Saul Jorge Pinto de Carvalho, que pesquisou o tema para sua tese de doutorado na Esalq. O trabalho teve orientação do professor Pedro Christoffoleti, do Departamento de Produção Vegetal e foi apresentado em dezembro de 2009.

As experiências em campo e em casa de vegetação (estufa) mostraram que, apesar de a combinação dos dois fertilizantes ter efeitos benéficos, o sulfato de amônio apresenta maiores vantagens. “Ele facilita a absorção celular do herbicida e atrasa a cristalização da gota sobre as folhas”, conta o agrônomo. “Isoladamente, sua ação positiva foi mais consistente e ocorreu com mais frequência do que no caso da ureia”.

Proporção
O estudo definiu a quantidade ideal dos fertilizantes a ser adicionada ao glyphosate. “No caso do sulfato de amônio, a proporção indicada é de 15 g L-1 (gramas/litro) de calda (mistura com o herbicida), enquanto a de ureia é de 5 g L-1”, destaca Carvalho. O pesquisador ressalta que resultados significativos também foram obtidos com a soma das metades de ambas as proporções, ou seja, adicionando-se 7,5 g de sulfato e 2,5 g de ureia no herbicida. “Além de eficaz, essa dosagem também permite redução de custos”.

Durante a pesquisa, foram verificadas quais espécies daninhas são melhor controladas pela presença de fertilizante misturado ao herbicida. “Em alguns casos, verificou-se ausência de efeitos, o que aconteceu com o apaga-fogo, a trapoeraba e o capim-braquiaria”, relata o agrônomo. “Essa informação é importante pois ajuda a racionalizar o uso da tecnologia de controle de plantas daninhas”.

Não foram verificados efeitos negativos em nenhuma espécie. No capim-massambará, capim-amargoso e corda de viola, a presença da ureia e do sulfato de amônio favoreceu a ação do glyphosate. “Tratam-se de espécies mais problemáticas para os agricultores”, diz Carvalho. “Nesses casos, os fertilizantes obtiveram melhores resultados”.

De acordo com o agrônomo, a pesquisa poderá reduzir o efeito empírico na aplicação do herbicida, racionalizando o controle de espécies daninhas. “Ao mesmo tempo, é recomendada a substituição da ureia pelo sulfato de amônio, já que este fertilizante apresentou maiores benefícios”, acrescenta. “Também deve ser dada maior atenção à qualidade da água usada no preparo da calda com o herbicida”.

A tese de Carvalho está disponível para consulta no Portal de Teses da USP, colocar "fertilizante + herbicida" na link de busca simples.

USP -Universidade de São Paulo