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domingo, 6 de novembro de 2011

MT esgota estoque de semente de milho

A conclusão do plantio da safra de verão dentro da janela ideal de clima e o uso de sementes de soja precoces (com ciclo médio de 120 dias) estão garantindo condições para que Mato Grosso cultive, em 2012, uma safra gigantesca de milho de inverno. Embora haja muito chão pela frente, os agricultores do estado estão com quase tudo pronto para aumentar, mais uma vez, o plantio do cereal do segundo ciclo da temporada, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo.

Levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado nesta semana projeta aumento de 14% na área do milho no inverno. Em 2 milhões de hectares, a produção chegaria a 9 milhões de toneladas no estado. O Paraná, segundo maior produtor do cereal na safrinha, vem colhendo 6,1 milhões de toneladas na estação.

A empolgação provoca falta de semente em Mato Grosso, atesta Jaime Binsfeld, diretor comercial da Fiagril, uma das maiores empresas de venda de insumos do Médio-Norte mato-grossense, região que concentra 45% da produção estadual de milho e 30% da de soja. Sidnei Manso, um dos coordenadores da equipe de vendas, acredita que 60% da área do Médio-Norte será ocupada por sementes de alta tecnologia e 40% de menor valor e menos produtivas. “As empresas estão vendendo todos os seus estoques. Híbridos de ponta vão faltar no mercado”, avalia.

O agricultor Ciro Ida, de Lucas do Rio Verde, mostra-se receoso com a entrega de sementes compradas para a segunda safra de milho. Ele diz ter investido na compra de variedades que têm tecnologia de ponta. “Soube que alguns colegas produtores tiveram o dinheiro da semente devolvido, mesmo depois de pagar à vista pela mercadoria. A empresa que eu comprei me garantiu que não vai ter problema para entregar. Vamos ver.”

Gargalo
A capacidade de armazenamento e a logística de Mato Grosso, no entanto, acendem o sinal amarelo. “Neste ano, enfrentamos atraso com a safra e ainda temos muito milho para embarcar. Se trabalharmos com um número de 10 milhões de toneladas para a safrinha, penso que teremos problemas, pois o consumo não deve passar de 2,5 milhões (t). Isso significa que podemos ter um excedente de 7,5 milhões (t)”, analisa Binsfeld.

Principal exportador de milho do Brasil, Mato Grosso tem assumido parcela cada vez maior no mercado internacional. De janeiro a setembro deste ano deste ano, enviou 15% mais milho para o exteriro do que durante todo o ano passado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que os mato-grossenses já embarcaram 4,24 milhões de toneladas de milho, contra 3,62 milhões registrados no mesmo período de 2010.

E é justamente esse apetite internacional crescente que mantém as expectativas positivas dos produtores brasileiros. Eles acreditam na firmeza dos preços do cereal que, por enquanto, estão se segurando perto dos R$ 20 por saca (quilos) no Mato Grosso.

Fonte: Gazeta do Povo

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Paraná quer prorrogar o plantio de milho safrinha

A informação abaixo, de hoje, é de uma demanda da Ocepar e da Faep. Vamos aguardar os desdobramentos. Não vi o teor do documento e do pedido. Só espero que tenham cuidado com a demanda, principalmente para a região norte/noroeste do Estado, onde em muitos locais o plantio já é até 20 de março em muitos municípios, prazo já no limite dos bons resultados. Lembro bem do ano de 2000, se não estiver enganado, quanto a Cosesp autorizou o plantio até 30 de março, e muita gente sofreu com a frustração generalizada que houve, tudo por acreditar no prazo político ao invés de seguir o consenso técnico.
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fonte: SEAB (http://www.seab.pr.gov.br/)

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento pediu nesta segunda-feira (14) ao Ministério da Agricultura a prorrogação do plantio de milho safrinha no Paraná por mais 20 dias. O pedido deve-se ao excesso de chuvas na região de produção de grãos, que está atrasando a colheita da soja. E o milho safrinha só pode ser plantado após a colheita da soja, já que no Paraná há uma sucessão bem definida de plantio durante o ano todo.

São vários os prazos de encerramento do milho safrinha no Estado, dependendo da região e do clima. O período mais comum, indicado para regiões com clima mais quente e por isso propício ao plantio, vai até 20 de março. Mas a partir deste domingo (20) começa a expirar o prazo em muitos municípios atingidos pela portaria do zoneamento agrícola fixado pelo ministério com base em informações da pesquisa agrícola.

O secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, disse que a prorrogação é fundamental tendo em vista o impacto que uma redução na produção do milho safrinha no Paraná pode provocar no abastecimento nacional.

Conforme documento enviado a Brasília, o milho da segunda safra plantado no Paraná influencia o abastecimento do grão no mercado interno e, consequentemente, o equilíbrio nas cotações dos principais produtos consumidos pelos brasileiros, como carnes, leite e derivados. Isso porque nos últimos cinco anos o produtor paranaense praticamente transferiu o maior volume de plantio de milho para o período da safrinha, apesar do risco da cultura.

De acordo com o acompanhamento de plantio e colheita do Departamento de Economia Rural (Deral), apenas 1% da soja foi colhida até agora, enquanto o normal seria pelo menos 3% da safra. De acordo com a técnica Margorete Demarchi, os produtores precisam da prorrogação para não perderem o acesso ao crédito rural e ao seguro (Proagro).

Demarchi explica que não só as chuvas foram determinantes para o atraso na colheita da soja. Houve também um retardamento no plantio da soja no verão, o que obriga a cultura a ficar mais tempo no campo. Os meses de agosto e setembro do ano passado, período que antecedeu o plantio, tiveram regimes de chuva abaixo da média e dessa forma os solos não mantiveram umidade na capacidade de campo necessário o início dos plantios nos primeiros dias de outubro, dentro do zoneamento agrícola.

Como o milho safrinha é uma cultura de verão, plantada pouco antes do inverno, tradicionalmente enfrenta desafios durante o seu período de desenvolvimento, como estiagem seguida de geadas. Os produtores paranaenses vêm driblando esses fenômenos climáticos com a ajuda de tecnologia.

Segundo o Deral, no Paraná há uma previsão de plantio de 1,5 milhão de hectares de milho da segunda safra para este ano, com expectativa de produção de 6,6 milhões de toneladas, o que corresponde a aproximadamente 30% da produção nacional de milho da segunda safra. Há cinco anos, essa lavoura vêm ganhando importância na relação oferta e demanda de milho no cenário nacional.

Para se ter uma ideia, lembra Margorete Demarchi, na safra 2005/06 a produção brasileira do milho safrinha era de 10,7 milhões de toneladas, correspondendo a 27% da demanda nacional. Conforme a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), para 2011 está prevista uma produção de 21,6 milhões de toneladas de milho safrinha no País, que responde por 46% do consumo nacional.

Segundo o Deral, a manutenção e expansão de áreas de plantios do milho safrinha torna-se ainda mais relevante frente à redução na relação estoque e consumo de milho prevista para este ano, o que pode comprometer o abastecimento nacional.

A solicitação para prorrogação do plantio foi enviada com o aval da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

quinta-feira, 11 de março de 2010

Rally da Safra

Foi realizado na última segunda-feira, dia 08, aqui em Maringá, um evento onde foi proferida palestra sobre mercado de soja e milho. O Rally da Safra é uma expedição organizada pela Agroconsult, com o apoio de outras grandes empresas, que percorre as principais regiões produtoras do Brasil, fazendo levantamentos das principais culturas e apresentando os resultados aos produtores. Quem quiser acompanhar o roteiro e ver as notícias é só acessar o site www.rallydasafra.com.br/.

Resumidamente a situação apresentada na palestra foi a seguinte:
SOJA - Safra 09/10 - EUA: área recorde, produção recorde;
AMÉRICA DO SUL (Brasil/Argentina): área recorde, produção recorde;
Estoque mundial inicial de 31 foi para 48 milhões de toneladas.
Preços com tendência de ficar no patamar de US$ 9 a 9,25 por bushel, ou seja, algo em torno de US$ 20,00 por saca em Chicago.
Para a próxima safra 10/11 a tendência é de aumento de área, e se as condições forem favoráveis, o estoque mundial vai perto de 60 mi de t e preços tendem a cair para a faixa de US$ 8,5 a 9,0 por bushel.

MILHO - situação semelhante, sendo que em termos externos sem perspectiva de melhora. O alento seria o mercado interno, caso a avicultura e suinocultura se consolidem e aumentem o consumo.
Preços com tendência de ficar no patamar de US$ 3,7 a 4,0 por bushel.

O colega Orlando, engenheiro agrônomo do BB, como de costume, fez um resumo completo da palestra com todos os detalhes. Para baixar o arquivo é só clicar aqui e fazer o download. 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Rentabilidade do Milho Safrinha 2010

Situação hoje: O mercado futuro da BM&F/Bovespa aponta os seguintes preços para o milho para os vencimentos abaixo:
H10   mar/10   17,74                  U10   set/10    18,37
K10   mai/10   17,76                   X10   dez/10   18,99
Ou seja, para o segundo semestre (set/dez), os preços estão projetados em menos de R$ 19,00 por saca, base Campinas, que é a referência da Bolsa. Trazendo para a nossa região, descontando a diferença de base, que para Maringá deve ficar entre R$ 4,00 a R$ 6,00 (não é regra, apenas uma referência histórica), temos uma projeção de preço para venda no balcão aqui em Maringá entre R$ 13,00 e R$ 14,00 por saca. Claro que é uma perspectiva de mercado com base na situação de momento, que pode sofrer variações até o segundo semestre, de acordo com o comportamento das diversas variáveis formadoras de preço (clima, oferta, consumo, estoques, etc), mas é o melhor dado de tendência de preços que temos para análise.

Com base nesta situação de momento e do custo atual, podemos fazer uma projeção da rentabilidade que a cultura deve proporcionar. As premissas para a análise são:

- Preço estimado: R$ 14,00  -  (R$ 0,233/kg) - realista
- Produtividade prevista: 4.500 kg/ha  = 75 sc/ha ou 181 sc/alqueire
             (otimista: 18% acima da média regional que é 3.800 kg/ha)
- Custo variável (desembolsos custeio): R$ 750,00/ha (53, 5 sc/ha)
- Custo total (s/ depreciação): R$ 900,00/ha (64 sc/ha ou 155 sc/alq)
 
Assim: Receita total:  R$  1.050,00 (4.500 x 0,233)
           Custo total:    R$     900,00
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           Lucro . . . . .  R$      150,00 / ha (rentabilidade ~ 16%)

Trocando em miúdos, fazendo uma correlação com  a soja, que é a cultura principal e a que vai ser impactada pela decisão do que será cultivado no inverno, isso significa um lucro de menos de 5 sacas de soja por hectare, ou ainda, 11 sacas de soja por alqueire.
A pergunta é simples, vale a pena apostar todas as fichas no milho, tendo como base um cenário tão pouco atraente?
Some-se a tudo isto o fato que o plantio este ano tende a fugir do período ideal, de acordo com o zoneamento agrícola, que seria até 10 de março, já que a soja foi semeada um pouco mais tarde que de costume. Tudo isso deixa a cultura mais arriscada que o normal.
Para mim está claro que esta é a hora do produtor aproveitar a situação para fazer, em parte da área, uma lição de casa que por aqui poucos tem feito, que é a rotação de culturas. Quanto às alternativas, cito três pelo menos: o trigo (tem risco semelhante ao milho safrinha), a braquiária e a aveia preta. No caso das duas últimas, o objetivo seria apenas a adubação verde, sendo certo que o sistema devolve essas 5 sacas de soja por hectare em ganho de produtividade somente pelos benefícios promovidos pela rotação. Basta comparar as médias de produtividade de soja da região de Maringá com o de outras regiões como Campo Mourão, Ivaiporã, Rolândia, entre outras, onde a prática é mais comum.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Milho Safrinha

A região de Maringá se destaca pelo plantio de milho safrinha, cultura que se desenvolveu muito nos últimos 10 anos. Particularmente considero uma boa opção para o inverno, até porque temos poucas alternativas de exploração nesse período. Porém, acredito que os produtores estão cometendo alguns erros que tecnicamente são injustificáveis, os quais relaciono:
  1. Priorizar o plantio da safrinha em detrimento à safra de verão, que é ou deveria ser a "safrona", sacrificando a soja com plantios antecipados e com variedades superprecoces, visando conseguir plantar o milho safrinha o quanto antes;
  2. Plantar toda a área do lote com safrinha, do espigão à beira do rio, sendo que quase todos os anos tem dado alguma geada, mesmo leve, que acaba comprometendo o terço ou quarto mais baixo da área, fazendo com que na média a produtividade fique abaixo daquela esperada e potencialmente factível caso o produtor fizesse um "zoneamento" particular de sua propriedade;
  3. Esquecer de uma técnica milenar, básica, que é a rotação de culturas;
  4. Fazer um plantio direto "meia boca": sem palha e sem matéria orgânica não existe plantio direto, tanto que até mudaram o nome da técnica para "plantio direto na palha"; Passar a grade depois da colheita do milho é um atentado contra o sistema.
Próximo assunto: Milho em consórcio com Braquiária é a solução? Porque não o plantio "solteiro" da braquiária?